Falcão, vocalista da banda O Rappa visita a Ilha e confessa: Valeu a pena ê, ê...
23/11/2007
Em visita à Tubarão, descobrimos que o vocalista da banda O Rappa, Marcelo Falcão é apaixonado por jogos de tabuleiro. Um pouco surpresos, com tamanha afinidade do músico com alguns jogos, fomos conferir de perto de onde vem essa paixão.
De uma simplicidade e simpatia tremenda, Falcão revelou que adora jogar com amigos, e filhos tanto que toda semana reúne uma turma em sua casa sempre nas quintas feiras para uma descontraída rodada de jogos. Amante do War, o vocalista disse que a galera é ousada, joga de tudo. Este momento é tão fascinaste porque a gente se sente uma verdadeira criança. Esquecemos da correria do dia-a-dia, do estresse, dos problemas sociais, parece que tudo na vida vira brincadeira. Claro que não é só isso, o jogo de mesa te permite várias coisas. Interação social, novas amizades, boas risadas, muita estratégia, um resgate cultural e histórico, dentro tantos outros benefícios, sou fascinado por isso, confessa.
Ao conhecer o projeto ficou admirado com a iniciativa do empresário tubaronense, Alessandro Caporal, em resgatar a cultural dos jogos de tabuleiro, com uma ferramenta universal. O endereço do site ficou gravado pelo músico, que durante o bate-papo prometeu navegar para expor suas experiências, e ainda, indicar aos amigos. É muito bacana ter uma ferramenta na web que nos possibilita mais informações e conhecimentos sobre esses jogos, que fizeram e ainda fazem parte da vida de muita gente, destacou Falcão.
Vamos aguardar e conferir mais um ilustre ilhéu. É isso aí Falcão, Valeu a pena ê, ê ...
Sobre o músico
No ano de 1993 o ainda desconhecido Marcelo Falcão, morador do Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, fazia estágio como técnico em eletrônica. Entre a corrida pela sobrevivência e a música que levava com seu violão pelo corredor da escola, viu um anúncio no jornal: Banda carioca procura por um vocalista. Quase deixou de ir ao teste, em Botafogo, zona sul da cidade. Aos 20 anos, não tinha dinheiro para a passagem dos três ônibus que teria de pegar. Ao arrumar uns trocados, conseguiu comprar a passagem, e rumou também à realização do grande sonho: cantar.
Mais de uma década depois de ter sido eleito vocalista do conjunto O Rappa, Falcão é hoje uma voz marcante do pop-rock nacional, talvez a principal delas. A banda junta multidões em seus shows e acredita que é possível vender muito sem descuidar da qualidade. O segredo segundo o próprio vocalista está nas letras vigorosas, à maioria de cunho social, e, na batida energética. A garotada, agora, segue O Rappa quase como uma religião, encampando os projetos sociais do grupo e vendo Falcão como uma espécie de guru.
Trajetória
O cantor é do tipo que não 'economiza' em cena - para usar uma expressão dele mesmo. O grupo faz, em média, 16 shows por mês. Em todos, Falcão canta com voz rasgada, gritando as letras, improvisando discursos no meio das canções e falando de olhos fechados, como se estivesse recebendo uma mensagem. Tem uma expressão corporal própria e incansável - coisa que não se via no rock brasileiro desde Renato Russo. 'Um artista que economiza em show é coisa que me ofende', afirma.
À semelhança da trajetória de Falcão e a história do Rappa é um caminho de persistência e recomeço. A banda quase não resistiu à saída do baterista e principal letrista Marcelo Yuka, que ficou paraplégico ao levar um tiro num assalto, em 2000. Três anos depois veio O Silêncio Q Precede o Esporro, produzido por Tom Capone. O CD vendeu 300 mil cópias e mostrou que eles continuavam fazendo música de punhos erguidos, mesmo sem um de seus principais integrantes. Em 2004, outro revés: Capone, especialista em sucessos e mentor de uma virada sonora da banda, morreu num acidente de moto em Los Angeles.
A banda soube se reinventar novamente. No CD Acústico MTV (editado também em DVD), o Rappa toma como base O Silêncio Q Precede o Esporro para subverter as regras desse tipo de produção, que pede artistas sentados em banquinhos. Salvo uma ou outra faixa mais tranqüila, o vocalista surge tocando fogo no palco e hipnotizando a platéia de jovens. Em pouco mais de um mês, o Acústico atingiu a marca de 200 mil cópias vendidas.
O vocalista tatuou uma imagem de Jesus Cristo no braço direito quando soube que o companheiro Marcelo Yuka escaparia da morte. Engajado não apenas nas letras que canta, Falcão e também seus companheiros de banda apóiam doando recursos para iniciativas que envolvem jovens carentes.
Falcão tem procurado novos vôos. Deve abraçar alguns projetos-solo, sem prejuízo do trabalho com o Rappa. Reggae e rock pesado estão na lista. Samba também. Seu bisavô foi um dos fundadores da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Falcão sonha em, um dia, puxar um enredo da Mangueira ao lado de Jamelão. Topa tudo para realizar o desejo. Aceita até ser o 27° puxador, só para cantar com o mestre.
Discografia:
O Rappa (1994)
Rappa-Mundi (1996)
Lado B Lado A (1999)
Instinto Coletivo (2001)
O Silêncio Q Precede o Esporro (2003)
Acústico MTV(2005).