Ao criar a coluna Ilhéu do mês tivemos a intenção de mostrar um pouco melhor as pessoas por detrás dos avatares em nossa querida ilha e que como no filme de James Cameron, habitam e se relacionam trocando energia e alimentando a rede que mantém viva e equilibrada esta nova sociedade.
A freqüência destes relatos e testemunhos devem aumentar bastante em 2010 já que a Ilha apresentará algumas novidades importantes para o próximo ano.
Falar em mudanças sempre nos geram expectativas, e como estas mudanças afetam diretamente nossas vidas de ilhéus achamos que o momento era mais que oportuno para uma entrevista com nosso Governador. Afinal de contas é o mais antigo ilhéu, aquele que vislumbrou o caminho e cheio de coragem aventurou-se por mares nunca dantes navegados aportando neste lugar. Hoje vivemos na ilha e mal sabemos como tudo isto aconteceu, quais os sacrifícios , e o valor desta grande aventura. Temos hoje algo singular nas palavras abaixo, pois apesar de todos nós sabermos de sua existência pouco o vemos no dia-a-dia e poucas oportunidades temos de compreender seus sonhos, anseios, e enormes desafios para manter viva a cultura lúdica num país como o Brasil.
1) Quem é Alessandro Caporal, como você se descreveria?
O eterno e típico menino do interior.rsrs
Cresci numa cidade pequena com poucas opções culturais, onde o convívio familiar era tudo. Diversão era brincar numa caixa de areia, com fusquinhas de plástico barato e Forte Apache com todos aqueles soldadinhos da 7 cavalaria espalhados pelo matinho(florestas) do fundo do quintal (deserto). Nestes tempos a imaginação e a criatividade eram mais importantes que qualquer brinquedo e o barato era juntar irmãos, primos e vizinhos construindo os cenários de nossas brincadeiras. Muito graveto, pedras, tijolos, mamonas, barro ou qualquer coisa que pudesse assumir alguma forma do que sonhávamos do mundo adulto passado nos filmes da sessão da tarde.
Com uma infância cheia de ficção e portanto muito aproveitada, acredito que desenvolvi alguma patologia que me prende eternamente a este período.
Sou bastante introspectivo onde aproveito para imaginar e arquitetar situações e um grande sonhador teimoso que detesta largar a brincadeira quando realmente acredito que encontrei algo bom e diferente ali.
Um aquariano nato e um ser extremamente curioso e acho que por isso era um aficionado pelo do jogo dos 7 erros. Vivia comparando tudo buscando diferenças ou similaridades.
Um Zé perguntinha! O que deixa algumas pessoas desconfortáveis em alguns momentos (Ainda bem que quase não viajo mais de ônibus!).
Estar em portos ou aeroportos é a redenção! É ver os cenários da infância materializados! Coitado de quem esta junto!
2) Qual sua relação com jogos?
Nos anos 70 muito Divertirama e pega varetas e de repente meu irmão ganha um “Só Compra quem tem” e tínhamos o auditório do Silvio Santos dentro de casa! Simplesmente mágico. Eu chegava a tentar me vestir como um apresentador de TV para jogar. Num natal ganhei um FRONT (combate/Stratego)!!! Eu adorava filmes de segunda guerra e naquele momento tinha um exército sob meu comando, foi um verão cheio de conflitos!rsrs Lembro de ficar extasiado ao conhecer na casa de um vizinho o “Milhões em Jogo” (Coluna). Eu ia dormir todos os dias durante semanas pensando naquele jogo! Na minha imaginação de criança era o bilhete para o mundo adulto e seus compromissos, comprar, vender, pagar impostos...(tadinho!rsrs). Depois de uma partida eu chegava em casa achando que já podia dar pitacos nas conversas sobre finanças de meus pais etc. Acho que eles deviam rir muito!
Após estes, tive o Banco Imobiliário que foi outra festa; joguei muito Interpol e Detetive e de repente meu irmão mais velho (já um jovem) aparece com uns amigos lá em casa para jogar um tal de WAR, que era um jogo para adultos e eu não podia jogar!
Isto foi difícil de agüentar...
Um ou dois anos depois um primo ganhou um e pudemos nos esbaldar com aquele jogo que nos fazia sentir generais, e melhor....ADULTOS!!!
Logo estava na universidade e o tempo para os jogos minguou com os compromissos da vida.
Mesmo assim me mantive comprando os poucos títulos nacionais e adultos que eram lançados.
Já formado e casado descobri os jogos estrangeiros, virei um colecionador compulsivo e passei a catequizar os amigos para voltar a jogar.
Acho que falei um bocado não? Mas tudo para dizer em suma que minha relação com jogos é de fascínio, pela incrível capacidade que têm de transportar-nos para uma outra realidade criada entre um grupo pelo simples e mágico espírito da fantasia e diversão, sem nada em troca. Acho que isso é magia de fato.
3) Você tem algum jogo que considere inesquecível?
Você sabe que quando comecei a adquirir jogos eu era meio radical. Só queria jogos de guerra, ou com temas “sérios” ou simuladores. Achava que qualquer outra coisa era bobagem.
Eu olhava o Catan com aquelas casinhas de madeirinha, o Carcassonne (um dominozinho) rsrs e simplesmente não topava trazer nada diferente pra casa.
A coleção foi ficando meio monótona e vi que obviamente nem todos meus convidados estava com a mesma “vontade” de repetir o tema sempre.
Pelo social comprei um Catan...
Quebrei meu primeiro paradigma.
Então passei a uma outra fase que só percebi um tempo depois. Virei uma espécie de torcedor de alguns jogos que comprava. Olha que sentimento esdrúxulo!rsrsrs
Mas era assim mesmo, e percebi depois que o melhor era geralmente alguma boa compra recente.
Depois vi que meu humor e paciência em determinados dias mudavam minha opinião.
Então mudei minha maneira de avaliar jogos.
Sempre tenho que dar novas chances aos jogos e experimentá-los com parceiros diferentes.
Tenho entretanto, alguns títulos que me chamam sempre ... Rairoad Tycoon, Axis&Allies, Acquire, Interpol...
Mas na categoria dos inesquecíveis sentimentais incluo: Milhões em Jogo, Front e Jogo do Petróleo.
4) O que não pode faltar em uma jogatina?
Pipoca, refrigerante, café e se possível uma chuvinha. Ah! Obviamente tempo. Pois o bom de uma boa joga são várias jogas e nada pior do que aqueles que jogam uma partidinha e quando o entrosamento fica perfeito o sujeito diz que tem que sair.
5) Transitando pelo acervo da ilha vemos contribuições particulares do Governador em jogos como Axis&Allies e Cockpit (inclusive com organização de um campeonato exemplar em Tubarão ), são seus jogos preferidos
Como tentei dizer antes ando muito eclético com jogos e tudo, tento apreciar com carinho e respeito. O A&A e o Cockpit são casos a parte, pois considero-os grandes imãs para iniciantes, então dediquei bom tempo a eles no sentido de torná-los realmente irresistíveis. E nada como customização. Agora falando sério ... quem se dedica a ficar pintando a mão carrinhos e bonequinhos, ficar horas a fio no computador criando tabelas em corel draw merece mostrar isso ao maior numero de pessoas possíveis não é mesmo?
Minhas contribuições nestes ou em outros jogos são de empolgado mesmo. Adoro pintar, e agregar novidades aos jogos, pena não ter mais nenhum tempo pra isso :(
6) Com que freqüência você joga?
Antes da ilha, praticamente todo final de semana, nas férias, dia sim dia não, e eventualmente dias de semana a noite nos campeonatos de Cockpit. Atualmente infelizmente não tenho conseguido jogarL , minha esperança é algumas jogas nos próximos dias na pequena folga que peguei! Torçam por mim gente!
7) Você já trabalhava com internet, ou com jogos? Como nasceu o projeto Ilha do Tabuleiro?
Nenhuma vivência anterior, trabalho a muitos anos com marketing promocional e a ilha surgiu de muito sonho e ao mesmo tempo de pensamentos e necessidades óbvias.
Conheci os jogos modernos em 2003, e logo vi minha coleção crescer espantosamente.
Estando no interior, tendo todo tipo de dificuldades para adquirir jogos, informações e ao mesmo tempo testemunhando o surgimento de sites sérios no exterior, olhava o enorme país em que vivemos com milhares de pessoas criadas jogando BI e WAR e parecia perfeitamente viável tentar conceber um lugar na internet capaz de abrigar algo com potencial capacidade de gerar interesse.
Naquele momento de euforia minha preocupação era tentar entender profundamente a realidade brasileira, pois seria muito fácil errar em algum posicionamento e virar mais uma boa iniciativa que ficou na história.
Minha visão de consumidor seria bem utilizada em vários aspectos, mas era preciso mais para conseguir um projeto sustentável.
Para permear deveria ser um lugar com visão mais ampla.
Teria que abrigar conveniências de vários tipos, respostas e principalmente, capacidade de atrair jogadores novos.
Num primeiro momento a pessoa chega pela novidade, mas como ela terá seu desejo (que é jogar) atendido, se no Brasil não existiam aqueles jogos a venda?
Foram vários quebra cabeças neste sentido...
Na época, até importar um grande lote de jogos foi cogitado para dar suporte a esta demanda que seria criada. Tudo muito antes do site ir ao ar.
Ou seja, era preciso criar um lugar para as pessoas falarem, trocarem experiências e conseguirem manter-se fieis ao hobby praticando-o, pois só falar não completa o ciclo de fidelização e resgate.
Jogos importados eram entendidos como medida provisória por questões tributárias, pois o ideal e viável era atrair e potencializar o envolvimento da indústria nacional com este hobby, uma vez que, ao contrario do que se imagina, existem inúmeras indústrias de pequeno e médio porte no país ávidas por bons títulos em seus portfólios.
Tarefa esta que envolveria atividades muito alem da simples administração do portal, já partindo para um continuo aproach entre empreendedores do setor, o que significava muita estrada , argumentos, tempo e recursos.
Da mesma forma, apresentar a rede de distribuição as vantagens de investir mais neste eterno e renovado hobby. Esta uma tarefa estratégica já que a indústria ouve com atenção estes que são seus primeiros clientes: os pontos de venda.
Mostrar para toda esta cadeia que a exemplo do mercado internacional que já vinha realizando um novo movimento, o Brasil precisaria se alinhar, e que a nova comunidade que estava surgindo poderia ajudar muito a todos.
Bom, foram muitos conceitos abordados e discutidos amplamente e sempre pensando de uma única maneira....
A comunidade para conseguir êxito e sustentabilidade deve atender aos interesses e conveniências de todos os envolvidos, consumidores, distribuidores e fabricantes, formando uma grande rede proativa e capaz de trazer respostas e soluções uns aos outros ininterruptamente. Afinal é uma cadeia que se auto alimenta.
E complementar tudo isso com a humanização das relações.
Elevar o relacionamento da rede a um nível que atualmente só internet consegue.
Mas prestemos atenção, isto tudo foi pensado entre 2003 e 2005! Muito antes de Twiters e etc.
Um pensamento simples, lógico e ao mesmo tempo inovador, mas não freqüentemente usado.
Porém, colocá-lo em prática é ouuuutra coisa e que trabalhamos seguidamente deste os rascunhos até hoje.
8) Quem acessa a ilha talvez possa imaginar ser um projeto sediado num grande centro, uma grande metrópole, mas você é catarinense, residente em uma cidade pequena a 1000 km de SP, como você vê isso?
O maior estímulo para o surgimento da ilha foi justamente este fato! Jogadores fisicamente “isolados”.
Eu vivi minha vida inteira este drama! Não havia coisa mais revoltante do que nas férias receber os primos e amigos de grandes centros e vê-los relatando as vantagens de ir a qualquer shopping e conseguir comprar este ou aquele objeto de nossos sonhos e nós ali isolados de tudo e de todos.
Com o advento da internet e a grande exposição criada por ela, estes caminhos encurtaram. Em 2 cliques qualquer um em qualquer lugar hoje tem acesso a quase tudo.
E isto me encorajou a empreender este projeto, pois estar na rede é estar incluso e destruir barreiras físicas.
Um grande estímulo realmente foi entender que poderia estar resolvendo o problema de milhares de outros brasileiros interioranos como eu, e colocá-los em mesas de jogos por este enorme país afora.
Hoje quando olho o grande sucesso que já alcançamos às vezes eu ainda me pego dizendo meio orgulhoso...olha aí ó...nem parece coisa do interior!rsrsrs
Na verdade as distâncias deixaram de existir e a cada dia fico sabendo de novas e importantes iniciativas nascidas fora dos grandes centros. É a democracia digital!
9) Do projeto a realização, houveram muitas dificuldades no caminho?. Conte um pouco dessa trajetória.
Com certeza, inúmeras!
A parte mais simples é a do sonho, onde teoricamente pode-se tudo, mas não conseguimos mensurar as aplicações.
Então temos que sonhar com responsabilidade não deixando a empolgação nos levar ao devaneio.
Muitos projetos naufragam rapidamente por não haver este equilíbrio trazendo muita frustração.
Só quem já empreendeu algo sabe que qualquer iniciativa por melhor planejada que seja vai enfrentar imprevistos e adversidades.
Quem não entende ou aceita isso nem deve começar.
Por isso as estatísticas de empreendedorismo são tão cruéis e dizem que a absoluta maioria das novas iniciativas fecham as portas já nos 2 primeiros anos.
Para entender a dificuldade em criar a ilha temos que voltar no tempo e recordar o cenário presente no Brasil na época. Investir tempo e dinheiro em jogos de papel, não tinha lógica nenhuma num pais como o Brasil, cheio de protecionismos, carga tributária alta, e uma industria nacional focada em outros nichos.
Era certo que o projeto precisaria ser muito diferente para marcar presença, e seria necessário muita criatividade, postura e perseverança para avançar e quebrar a resistência natural instalada.
Qualquer passante precisaria perceber esta consistência.
Com tantas equações para solucionar, era certo que a coisa nascia grande e cheia de demandas e logicamente, possibilidades de erros.
Navegando pela net com insistência, percebiam-se vários registros de iniciativas anteriores que não seguiram.
A coragem para seguir adiante credito a: 50% teimosia/sonho e 50% vivências anteriores como empreendedor.
Olhe só que interessante: a ilha teve um começo privilegiadíssimo!
Contou com um paitrocinador apaixonado(eu).
Diferente de minha empresa formal e tantas outras que começaram contando apenas com o suor de seus idealizadores, muito chão e dificuldades até conseguir contratar seus primeiros colaboradores, a ilha começou com um belo presente ( orçamento), equipe de consultoria (2 pessoas), equipe de comunicação (3 pessoas), assessoria jurídica (1 pessoa), equipe de marketing (3 pessoas), e equipe técnica (terceirizada).
Faltavam meses para a ilha ir ao ar e já havia um frenesi de trabalho e situações.
Um belo cenário!
Reuniões periódicas e coisas acontecendo todo dia.
Apesar desta bela arrancada já no começo era fácil ver a dificuldade que todos aqueles profissionais (gabaritados em suas áreas) tinham em compreender os particulares do nicho.
Entender como funciona a cabeça de um jogador para formular as soluções corretas em cada nível.
Eu sempre dizia - só aceitarei na equipe, pessoas que tenham identificação com jogos, ou pelo menos grande simpatia e disposição para conhecê-los melhor.
Todos achavam graça quando eu falava isso!
E logo se dispunham verbalmente a jogar.
Na prática, a coisa não funcionava, então invariavelmente havia uma sobrecarga de afazeres, revisando cada trabalho em suas diversas áreas para que atingíssemos nosso público corretamente.
Todo material e conteúdo (que não era pouco) tinha que ser minuciosamente criticado. O que escrever em nosso jornal? O que e como responder em emails para usuários? Criar mensagens automáticas para cada área, textos explicativos diversos, como manter as pessoas interessadas, cuidar da tematização e linguagem, etc etc etc
Em vários momentos me deparava com colaboradores meio prostrados por não conseguirem trazer a informação ideal.
Como tínhamos uma iniciativa inédita, encontrar informação com credibilidade era quase impossível.
Contratar a primeira equipe técnica foi algo igualmente delicado, pois as equipes precisavam compreender que se tratava de um projeto fora do comum, exigindo responsabilidades e acompanhamentos freqüentes diferente dos sites institucionais normais, pois seria um site interativo com atividade 24hs . Busquei na região as melhores referencias. Logo na primeira “parada”, a empresa parecia realmente séria e formal, porém, alguns posicionamentos iniciais e falhas de comunicação me deixaram inseguros quanto ao relacionamento futuro.
Como o site não estava no ar, decidi prontamente mudar.
Iríamos lançar a ilha em novembro, estávamos agora em meados de 2006, tínhamos concluído a base de dados para catalogação de jogos que inclusive liberamos para várias pessoas do meio de vários lugares do Brasil já na expectativa de incluir jogos e formar nosso primeiro acervo.
As pessoas entravam, olhavam, mas infelizmente não incluíam seus jogos ou informações. E este fato nos levantou a uma grande interrogação: o jogador brasileiro está realmente disposto a contribuir?
Eu costumava dizer as pessoas...
- Olha, eu estou sendo responsável pela viabilização de uma ferramenta que permitirá aos brasileiros um novo cenário muito promissor, mas esta ferramenta sozinha não fará nada. O sucesso, a relevância e o futuro deste projeto dependera exclusivamente das pessoas que aqui chegarem. Uma base de dados vazia e sem participação, não terá importância alguma.
Recorrendo a uma segunda empresa de tecnologia fui recebido com muita flexibilidade e atenção o que pareceu ser naquele momento a opção perfeita.
Iniciamos bem e os profissionais envolvidos pareciam bastante empolgados com o projeto inovador. Apresentavam soluções aparentemente adequadas.
O prazo acordado com a nova empresa para o lançamento da ilha era Janeiro de 2007.
Em dezembro/06 ficou claro que era impossível lançar na data e demos mais 30 dias, mais 30 dias, mais 30 dias...
Com várias pessoas trabalhando em outras áreas (e consumindo recursos) simultaneamente era vital que prazos técnicos fossem cumpridos sob pena de perdermos foco e energia das ações de lançamento e extrapolar o orçamento.
Em Janeiro de 2007, afim de dar a devida atenção ao projeto de meus sonhos, desliguei-me de minha empresa (fonte de recursos), dando total atenção a Ilha e vivendo-a intensivamente para dar a ela o start necessário, utilizando para tanto reservas pessoais.
Queria um lançamento marcante já para mostrar ao mundo que a Ilha não surgia para brincar ou ser mais uma. Planejei uma grande viagem de 30 dias aos EUA para visitar a Rio Grande Games, a HASBRO, e eventos de jogos. No retorno, missão a São Paulo visitando as maiores empresas nacionais de brinquedos e jogos, conhecer a Ludus (ainda por abrir) a SB Jogos etc.
Com passagens aéreas e hotéis já marcados para tantos destinos diferentes, a ilha não poderia esperar mais, tinha que ir ao ar aproximadamente no dia 15 de junho de 2007.
Site pronto?
Nada!
A considerar as continuas prorrogações de prazos, e posições sempre vagas do fornecedor, precisávamos determinar uma data definitiva para ir a público.
07/07/2007 iria ao ar sem mais nenhum atraso, pois tínhamos compromissos assumidos com inúmeras pessoas e uma campanha na internet já em andamento que não podia perder seu momento e intensidade.
Fomos ao ar com o site incompleto faltando vários módulos fundamentais (promoções, clubes de jogos, painel de controle etc).
Além disso, o que foi ao ar continha inúmeros problemas e erros.
Nas palavras do fornecedor: isto é normal, todo projeto é assim mesmo, e em mais alguns dias estará tudo corrigido e os módulos faltantes publicados.
Com nossas visitas de apresentação conseguimos atrair vários parceiros com a intenção de apoiar a comunidade. Várias empresas de brinquedos e jogos aguardavam nossas propostas de participação e datas para adesão.
Estes seriam os recursos fundamentais para que a Ilha mantivesse suas equipes internas e expediente formal preparadas para atender os usuários que chegavam diariamente, e implementando as atividades de entretenimento e fidelização entre usuários e apoiadores.
Em dezembro de 2007 ainda não havíamos recebido o sistema de gestão de banners da ilha, amargamos uma virada de ano deficitária, sem poder admitir anúncios das empresas apoiadoras.
Neste momento o crescimento da comunidade já começava a mostrar que a forma de programar adotada pelo fornecedor não suportava a demanda.
E iniciou-se uma era técnica inacreditável, onde tínhamos que optar diariamente por consertar problemas (que não paravam de surgir), ou continuar as implementações solicitadas em projeto.
Para somar ao drama, a fornecedora atravessou uma série de reestruturações trocando sucessivamente todos os seus profissionais, ficando a ilha sob tutela de profissionais sem experiência e estagiários diversos sem nenhum conhecimento do projeto que estava sem documentação!
Nas reuniões, os argumentos eram repetidos: já estamos com novo profissional dedicado ao projeto e logo as situações estarão sobre controle e resolvidas.
O tempo passou...
O projeto inicial nunca foi concluído, então áreas de colaboração vital como a moderação não tinham os mecanismos para o trabalho voluntário. Ao invés disso um mundo de instabilidades diárias onde começamos inclusive a ser tirados do ar pelo provedor, por problemas e incompatibilidades na programação.
Era tudo simplesmente surreal, inacreditável.
Era agosto de 2008 e ficou claro que a empresa (apesar de nunca admitir) não concluiria o projeto, sendo preciso tomar a relutada decisão de trocar o fornecedor.
Foi um dos momentos mais difíceis em todo projeto, pois além de um processo caro, muita coisa poderia ser perdida na mudança. Neste momento, tudo que havia sido planejado de gastos havia sido extrapolado amplamente, as fontes de recursos haviam ficado para traz a muito tempo, e se não quisesse perder tudo que havia sido investido até aquele momento seria preciso investir outro tanto de recursos e começar uma nova jornada com outra empresa...
Paralelamente a difícil realidade administrativa na ilha minha empresa “real” sofria com a crise globalizada. Minha ausência na mesma enfraquecia sua performance e contabilizava ainda mais prejuízos.
Era recomendado desistir da comunidade e retornar imediatamente a vida real.
O que fazer?
Sem recursos, e sem perspectivas?
Munido apenas do resto de convicção inicial, e numa madrugada triste lendo os depoimentos sinceros e tocantes de usuários no post do segundo ano de ILHA, entendi que não estava louco ainda, e que já tinha ido longe demais para abandonar o sonho.
Contratei um técnico temporário para manter a ilha até a transição para uma nova empresa.
Neste momento me vi voltando 2 anos no tempo.
Que difícil e solitário foi este momento...
Para completar a ilha passava a ser atacada por hackers sistematicamente que aproveitavam da fragilidade de sua programação para fazer uma grande e incompressível festa.
Sem conseguir manter as equipes de comunicação, as rotinas ficaram pesadas e o tempo foi sumindo entre a administração das difíceis situações e de meu retorno obrigatório a minha empresa real (aquela que patrocinou a ilha e estava agora sob risco).
Escrever artigos se tornou impossível, responder emails ficou difícil, atender a expectativas virou utopia.
E com a graça do senhor, mais e mais pessoas chegavam diariamente.
Era preciso um plano imediato.
Não é preciso dizer o quão frágil era o momento para se fazer escolhas e tomar decisões.
Precisávamos mais do que nunca de uma empresa responsável e totalmente comprometida com as particularidades da Ilha e seus grandes desafios.
Uma empresa para analisar profundamente o sistema em uso e fazer seu upgrade, entregando o que tínhamos no ar melhorado e evoluído, concluindo também áreas faltantes e agregando novas tendências de usabilidade.
Definido o parceiro que nos conquistou com sua apresentação e defesa nos contatos iniciais, partimos para a busca de parceiros financeiros que permitissem este novo passo.
Investimos em um belo e extenso material de apresentação da comunidade com folders especiais, hotsite, e diversos dados contundentes coletados e saímos em missão a SP.
Realmente um material digno e a altura do que representava o organismo vivo ilha do tabuleiro.
Na pasta inclusive cartas de recomendação assinadas por lideranças políticas da região declarando apoio a outros projetos e iniciativas da ilha destinadas a nossa cidade e região, mostrando claramente que éramos responsáveis por algo de cunho e importância que ultrapassavam os limites do ambiente digital construindo também fora da rede um legado cultural.
Era outubro de 2008, lá estava em SP experimentando de tudo um pouco. Na maioria das vezes total respeito e atenção. Em algumas empresas fomos recebidos até de forma surpreendente e eufórica. E também ignorados por algumas tradicionais do mercado.
Apesar do momento (Natal e dia das crianças) o discurso crise mundial e corte de orçamentos estava sempre nas mesas. Em alguns era nítida a falta de “costume” em investir em “mídias alternativas”, e a frase “vamos esperar mais um pouco” foi proferida algumas vezes. Comum a todos era a frase “ parabéns pelo importante e belo trabalho que estão realizando”.
Voltei de lá sabendo que não conseguiria somente neste nicho os meios para manter a ilha no AR.
Fiz alguns bons amigos lá, e algumas empresas realmente acreditaram em nosso trabalho.
Houve um episódio marcante e emblemático que acredito também nos diz algo importante.
Um empresário de uma empresa que esta crescendo muito, passou a se corresponder comigo em seguida.
A empresa estava realmente interessadíssima em participar da comunidade.
Obviamente ele, o diretor e pessoas do marketing e desenvolvimento passaram a freqüentar a ilha assiduamente naqueles dias.
Já tratávamos inclusive de valores, quando o mesmo lamentou comigo.
- Alessandro, a sua iniciativa é louvável, mas parece que os seus usuários desejam que a industria nacional morra! Ficamos chocados ao ler alguns depoimentos sobre uma outra empresa de brinquedos na ilha...Nós entendemos que a internet é um ambiente livre, mas não faz muito sentido para nossa empresa ter nossa imagem associada a um lugar com tal verborragia.
Depois disso o contato esfriou, e acho que é um capítulo que serve para reflexão de todos, pois este foi e pode continuar sendo um fator determinante na decisão de outros apoiadores.
Tudo que escrevemos e registramos publicamente tem peso, e existem várias formas de expressarmos as mesmas coisas. Às vezes não nos damos conta do peso de nossas palavras e da importância que nosso espaço já assumiu, e realmente precisamos ter certos cuidados, pois certas posturas geram muito mais danos que ganhos.
Ou seja, as coisas que dizemos podem assumir proporções maiores do que imaginamos e podem ter um preço alto pago por todos nós, e que provavelmente será muito difícil de perceber no momento do fato, mas que nos será cobrado como falta de divisas vitais que nos impossibilitam o sustento e evolução qualitativa para toda a comunidade.
Já era dezembro, período em que o país para e as indústrias de brinquedos dão férias coletivas.
Para a ilha ir adiante somente o caminho dos bancos.
Economicamente falando, estávamos a caminho de um financiamento.
Nossa realidade era: recursos esgotados e extrapolados, nenhuma previsão de receita, empréstimo, problemas técnicos...
Era assumir isso ou parar.
A nova empresa contatada chega e garante ser capaz de entregar uma nova e remodelada ilha em seu aniversário em 07/07/2009.
Os dias passaram e nunca tivemos a possibilidade de ver a nova ilha funcionando literalmente.
As reuniões eram furtivas e sempre com a alegação de que tudo esta indo conforme o programado, que tecnicamente as coisas estavam nos cronogramas e que não adiantava me apresentar dados técnicos, pois eu não poderia distingui-los, que eu deveria confiar na capacidade da equipe por isso, por aquilo e aquilo outro...
Solicitado o envolvimento dos moderadores no processo, isto se resumiu a um levantamento de defeitos da ilha antiga e sugestões para o novo portal e pouco ou nenhum contato direto em ritmo de desenvolvimento de fato.
Com a aproximação da data e já com criações de marketing e peças prontas contratadas e pagas externamente as reuniões passaram a assumir um tom estressante, pois nada se apresentava de fato.
Faltando poucas semanas para o lançamento acordado, a empresa solicita uma reunião pedindo o adiamento da data para o dia 10 de agosto, tempo necessário segundo eles para acertar os detalhes finais e termos uma ilha “redondinha” no ar, pois segundo os mesmos eles queriam entregar algo com qualidade e devidamente testado.
Relutei muito em aceitar, pois paralelo ao desenvolvimento, formamos uma pequena equipe comercial que já estava trabalhando em inúmeros contatos atraindo novamente potenciais parceiros para a nova ilha. Já tínhamos datas firmes assumidas com pessoas de vários lugares do Brasil e mesmo do exterior.
Tudo tinha que funcionar em sincronia, pois o financiamento bancário possuía carência de 6 meses, o tempo exato para a publicação da ilha e a chegada de receita para que ela pudesse se pagar.
Ter que decidir sobre adiar a estréia sob a ameaça de qualidade e conseguir a chegada das receitas vitais até para a continuidade era algo angustiante.
Mas uma coisa não funciona sem a outra e com todo histórico de problemas da ilha antiga, a nova ilha, os ilhéu e seus apoiadores mereciam estrear de forma impecável
Novo prazo aceito.
Fomos obrigados a refazer toda a campanha de banners.
Não me esqueço que estávamos no auge da gripe suína e uma campanha inteira criada com alusão a isso foi paga e jogada fora entre outras.
Vários contatos comerciais começavam a surtir efeito e várias empresas aguardavam novamente a data oficial para o lançamento.
O prazo foi novamente passando e simplesmente e absurdamente não recebíamos qualquer boletim de andamento e posição oficial dos trabalhos sem tampouco poder navegar e sentir a tão esperada nova ilha.
Tudo que havia sido sugerido em layouts e verbalmente permanecia como incógnitas, não era possível experimentar nada e comparar com a ilha anterior.
Decidimos com o marketing soltar a campanha de banners anunciando a chegada para agosto.
Eram poucas peças e elas deveriam ser usadas durante no máximo 10 dias.
Próximo ao dia 10 de agosto pelo silêncio era perceptível que a empresa não iria entregar novamente, apesar de em contatos afirmar que se eu quisesse seria possível publicar, mas que apenas não iríamos publicar tudo integralmente e depois colocaríamos no ar o restante (questão de 15 dias).
Neste momento fiquei furioso, pois já tinha tido uma experiência horrível e disse para mim que não aceitaria mutilar novamente o site para depois, como já visto anteriormente, nunca mais ter concluído o trabalho sobre pretexto de consertos urgentes e necessários em outras áreas.
Diante do momento repugnante e revoltado, permiti adiar o lançamento, que seria , segundo a empresa, possível nos próximos dias.
Já no final de agosto liguei para a empresa e perguntei: como esta o site?
Como de praxe, recebi em resposta que tudo estava sobre controle e que eles estavam prontos para publicar, e que seria necessário tirar o site do ar por no máximo 48 horas para a migração.
Pedi para navegar, testar e liberar uma versão para os moderadores.
Enviaram-me um link todo quebrado e faltando diversas áreas e todo o conteúdo da ilha antiga.
Diziam repetidamente: fique calmo, esta tudo certo, é que a versão que estais navegando não esta completa pois os programadores estão concluindo aqui várias implementações pequenas e tudo precisará ser juntado no momento da migração. Mas fique tranqüilo eles já garantiram que esta tudo pronto, e estão apenas comitando.
O tom era sempre tranqüilizador: - Alessandro entendemos o seu nervosismo e tensão afinal de contas você apostou muito neste momento, mas fique calmo, estas são rotinas normais e a ilha vai fazer muito sucesso.
-Eu dizia, mas como, se eu não vi nada funcionando ainda???
- Esta tudo como você pediu.
Para não ficar louco, decidi particularmente que era preciso confiar, e que eu estaria usando então os dois dias de migração para navegar no site e rezar muito para que tudo estivesse realmente como o solicitado.
Eu disse a empresa que não poderíamos entrar em setembro sem a publicação.
Eles disseram: - está tudo ok então, tiraremos o site do ar no dia 31 e retornaremos 2 dias depois.
Aqui meus amigos de ilha eu vou preferir parar de falar detalhadamente, pois acredito que muitos de vocês acompanharam o nosso drama e blecaute, e falar sobre isso é reviver um período que considero um dos piores de minha vida tamanho o trauma psicológico enfrentado.
Apenas para resumir, todo dia durante os inconcebíveis 19 dias fora do ar eu ligava inúmeras vezes para a empresa e era informado de que em 2 ou 3 horas estaria recebendo um link com a versão final do site, o que nunca aconteceu. A informação era de que tinham problemas na migração e que a demora era justificada pela responsabilidade, pois eles iriam publicar a ilha 100% evitando problemas de navegação. Resolvi acompanhar pessoalmente os trabalhos e chegando lá, inacreditavelmente, me deparei com pessoas ainda programando áreas do site!
Migração???
Haviam inúmeras coisas inacabadas!
DESESPERO!
Acreditar no quê? Confiar em quem????
A sucessão de argumentos e justificativas inconcebíveis é desnecessária aqui agora. O desgaste público ficou inteiramente sobre nós.
Após a publicação, os responsáveis sumiram, e desligaram seus telefones, e a ilha foi ao ar “redondinha”!!!.
Assim funcionam algumas coisas em nosso país.
Enfim é para mim ainda muito difícil e angustiante falar sobre estas coisas, mas acho que os usuários da ilha precisavam pelo menos entender claramente algumas situações e saber o quanto nos tornamos reféns e impotentes em alguns momentos.
Estamos em Janeiro e até agora partes estratégicas e fundamentais para administração ainda não foram entregues.
Eu gostaria de concluir este relato dizendo que em nenhum momento de meus sonhos e de minhas ponderações eu poderia imaginar um cenário assim.
Da mesma forma que as pessoas chegam a ilha buscando diversão eu criei este lugar imaginando poder me divertir com ele.
Infelizmente certas coisas em nossas vidas fogem qualquer previsão e temos que lidar com elas, e muitas vezes um caminho racional e aceitável é encerrar o ciclo.
Em certos momentos nem isso é possível, tamanha a rede de situações, pessoas e histórico envolvidos.
Temos que arrumar forças que sequer sabemos de onde tirar e seguir.
Neste momento crucial uma grande dificuldade que tive foram as cobranças públicas.
Pessoas me julgando, acusando e rotulando.
Momentos que você simplesmente olha pra traz, para tudo que tentou criar imbuído das melhores convicções, de todo tempo e paixão dedicadas, enormes sacrifícios pessoais e financeiros, e se pergunta....
- Pra que tudo isso?
- Vale a pena?
Perguntas íntimas que não podemos responder de cabeça quente.
Construir grandes obras sempre dependerá de muita coragem e determinação.
Destruir é tão mais fácil...
Podemos levar anos para chegar ao ponto desejado, mas o orgulho de ter erigido algo com dignidade é insuperável e durador.
Muito superior em qualquer sentido em comparação ao ato de destruir, abandonar ou cultuar ruínas.
10) No auge das dificuldades em 2008, vc não pensou em levar o projeto para um grande centro, ou mesmo tentar uma solução alternativa com pessoas dentro da própria comunidade?
Sim pensei e muito!
Desde que a ilha surgiu, volta e meia recebo ofertas de pessoas de dentro da comunidade para o fornecimento. Muitas delas inclusive como cooperação voluntária e gratuita.
O simples fato de receber estas ofertas é algo tocante, porém administrar estas colaborações é algo impossível no atual estágio.
É possível que tivéssemos conseguido ilhéus com comprometimento e dedicação suficiente para termos hoje o ambiente que gostaríamos, porém a prática mostra que salvo exceções dificilmente consegue-se segurança adequada sem remuneração, pois as pessoas têm necessidades que também mudam com o passar do tempo.
Isto impor-nos-ia o risco de em alguns momentos vermos os trabalhos descontinuados por possíveis desligamentos, trazendo-nos outros problemas para substituições, procedimentos, direitos, e maneiras de programar. Não da para se imaginar, por exemplo, uma operação comercial parada em função de algo assim, portanto uma relação formal tende a ser o relacionamento adequado, mesmo que infelizmente na prática isto não aconteça.
Outro fator importante a considerar é a distância física. É claro que a internet atual nos possibilita um enorme avanço em comunicação, porém nada como o contato direto em algumas situações decisivas.
A ilha foi planejada para momentos distintos em sua evolução.
Seu crescimento pleno com certeza passa por estar próxima de um grande pólo tecnológico.
Vejo isso num futuro próximo, e temos aqui mesmo em Florianópolis/SC ótimas alternativas.
Em 2008 eu pensei muito em ir a elas, ma fui convencido do contrário.
11)Quais foram os principais motivos para a construção de uma Nova Ilha?
Quando criamos a primeira ilha, já tínhamos por certo que em seu segundo aniversário ela precisaria mudar. Ao conceber o primeiro lay out, desejávamos algo mais lúdico, mais visual e que pudesse mostrar o colorido dos jogos. Mas tínhamos uma preocupação muito grande com o fator colaboração. Achávamos que um lay out mais elaborado poderia causar a impressão de que a ilha era algo organizado demais inibindo a contribuição e o voluntariado.
Tínhamos a percepção que o brasileiro não esta acostumado a colaborar e que então precisávamos no primeiro momento de uma imagem mais simples, lembrando projetos de sucesso como a wikipedia e o BGG, e para conseguirmos a nossa própria identidade trabalharíamos a tematização, que se mostrou algo acertado como vimos.
Porém nós sofremos muitas críticas. A ilha conseguia atrair muita gente mas poucas sentiam-se a vontade para participar como usuários logados. As pessoas voltavam diariamente, mas não se logavam. Recebíamos muitos emails, sugestões e comentários destas pessoas dizendo que o site era feio, e com muito conteúdo escrito, que não haviam estímulos, ou a alegria dos jogos como diziam alguns.
Estes testemunhos aliados objetivamente aos números decretavam que precisaríamos fazer algo. A ilha foi criada para o cenário brasileiro, onde a maioria absoluta das pessoas foi criada com jogos simples, coloridos e alegres. Nosso mercado foi fundamentado no nicho infantil, e com o tempo constatamos que esta parcela de usuários visitava muito a ilha pelos registros nos jogos kids, porém igualmente não participavam logados da comunidade.
Estes números não são pequenos!
Quem navega pela ilha sem conhecimento dos mesmos pode imaginar que a ilha é visitada por cerca de 200 pessoas intercaladamente a considerar os posts nos fóruns e contribuições nas fichas. Porém os logados oscilam em apenas 5% das visitas.
Com a missão principal de trazer mais e mais pessoas para o hobby, a única coisa certa era que precisávamos equacionar isto corretamente.
Neste tempo em que a primeira versão da ilha esteve no ar ela em nenhum momento foi concluída segundo seu projeto original. Várias áreas faltaram e o que estava no ar não funcionava adequadamente.
Com a chegada do segundo ano, deveríamos mostrar a todos que a ilha não estava parada e conformada com sua situação, e as melhorias técnicas deveriam ser acompanhadas de mudança visual sinalizando a todos o novo momento.
Nosso antigo lay out também se mostrava de difícil compreensão na área comercial. Nossas equipes de contatos constantemente tinham esse feedback como retorno por arte de profissionais de marketing e investimentos de possíveis apoiadores. Em várias circunstâncias recebemos comentários como: O site de vocês é maçante, contém muita informação escrita, e não parece algo profissional.
O mercado de games eletrônicos ditou várias regras e “verdades” comerciais, e a ilha não foge do contexto de um site de games, porém sua forma anterior o assemelhava muito mais a uma enciclopédia do que algo realmente divertido. Quem permanecia ativo era um perfil específico de pessoas extremamente curiosas ou já muito interessadas em jogos de tabuleiro, dispostas a se aprofundar pela comunidade independente de seus estímulos visuais. Ou seja, a ilha estava fidelizando uma parcela pequena de seus visitantes e não conseguindo cumprir seu objetivo maior que era justamente fidelizar todos com especial atenção aos iniciantes e mudar a realidade nacional.
12)Mesmo o Brasil estando em 2007 por assim dizer fora do circuito mundial de games modernos, já existia no país pessoas com amplo conhecimento em jogos. Como foi a receptividade ao projeto por parte destas pessoas?
Eu sou alguém com conhecimento modesto em jogos, e foi justamente esta situação que me levou a empreender a ilha. Sendo o Brasil um país com milhares de pessoas exatamente como eu, eu acreditei possuir ainda a visão do deslumbre capaz de nortear bem os interesses do usuário comum de jogos.
A bem pouco tempo eu sequer imaginava existir tantos jogos e menos ainda tantos experts no assunto. Foi uma surpresa e tanto.
Já com os rascunhos da comunidade em andamento eu imaginava romanticamente que estas pessoas ficariam muito felizes com o surgimento de uma ferramenta genuinamente brasileira e que se poriam a colaborar imediatamente na construção de um novo e grande plantel nacional sendo possivelmente este um bom alicerce para futuros encontros e eventos.
Nós tivemos uma acolhida espetacular de muita gente bacana, que chegou, se instalou e contribui ativamente na comunidade dando verdadeiros exemplos de amizade, e amor aos jogos.
Mas, muita gente boa com conhecimentos espetaculares, preferiu o silencio ou apenas as críticas.
Algumas fazendo inclusive boicotes, dá pra imaginar isso?
Graças a Deus, as pessoas pensam de forma muito diferente, então não me é possível formular qualquer teoria sobre coisas assim, porém a grande interatividade que criamos já sugeriu por parte de nossos usuários, teses curiosas sobre estes comportamentos que seriam até engraçadas se não fossem tristes.
Eis algumas delas(enviadas por ilhéus):
1) Antes da Ilha havia no Brasil pouquíssimas pessoas com acessos a jogos importados, e os mesmos sentiam-se participantes de uma espécie de elite lúdica. Agora com milhares de pessoas chegando diariamente através da ilha, eles perderam um pouco de seu brilho e importância, já que muita gente nova passou a comprar jogos. E os mesmos já não são detentores de grande diferencial.
2) Alguns dos grandes conhecedores de jogos brasileiros perderam a paciência de ensinar e dividir seus conhecimentos com os pobres mortais iniciantes tupiniquins.
3) Muitos deles colocam o jogo ou suas preferências acima da diversão e de fazer amizades.
4) Acham que a ilha pouco ou nada agrega, pois os brasileiros pouco ou nada conhecem de jogos modernos, então simplesmente não tem saco para construir a história nacional, ou ensinar e multiplicar jogadores no Brasil, preferem no entanto contribuir diariamente com sites estrangeiros.
5) Queriam eles próprios terem criado uma Ilha do Tabuleiro.
Existem várias outras teorias e realmente é tudo muito curioso. Eu simplesmente acredito que opiniões a parte todos nós devemos nos lembrar que por mais bacanas e sedutoras que sejam as coisas lá fora, nossos dias são vividos e jogados aqui mesmo no Brasil. Então acho que deixar um pouco os ranços de lado e torcer pela formação de mais e mais jogadores nacionais é o único caminho para criarmos as justificativas para que as indústrias de jogos e brinquedos passem a considerar nosso país como uma mercado razoável e nos contemplar com bons lançamentos. A única coisa certa nisso tudo é que cada país cuidará dos seus interesses e realidades, e não há como jogadores estrangeiros saírem de suas casas e virem para o Brasil ajudar a construir a nossa história, e melhorar as nossas ofertas.
Nós mesmos é quem teremos que mudar esta realidade. Eles já vivem diariamente nos melhores dos mundos lúdicos.
A ilha não é um time de futebol ou outro esporte qualquer competindo num campeonato pelo título de campeã ou melhor em sua modalidade.
A ilha é um lugar criado no Brasil para que pessoas que curtem jogos possam, através de suas colaborações, ter a alegria de ver este hobby com a expressão que merece neste país desassistido. Participar da ilha é ajudar a resgatar, enriquecer e valorizar a nossa pobre ou desconhecida história lúdica.
Não temos identidade digna no mundo dos jogos. Fazer parte disso é algo louvável e que ficará registrado para a posteridade. Não é um prêmio para mim ou para o seu ego. Fazer parte dela é garantir uma geração futura com jogos dignos ou queixar-se amarguradamente para sempre.
Aos brasileiros que torcem para outros times eu diria...amigos, continuem nutrindo sua simpatia por outros lugares, eu também o faço, mas não esqueçam de suas raízes. A ilha é o Brasil!
E para todos que a visitam é um reflexo do que somos neste país. Representando internacionalmente o que você é, mesmo você não participando diretamente deste esforço sem precedentes.
E o que somos?
Colaboradores ou oportunistas, gentis ou arrogantes, muitos ou poucos, conhecedores ou ignorantes, grandes ou egoístas?
Eu humildemente reforço o convite aos tantos veteranos deste país a esta reflexão.
Deixemos por um momento as bobagens e pequenas diferenças de lado e tenhamos o orgulho e o reconhecimento de construirmos juntos este legado pois serão sempre bem vindos .
A ilha é sua também, sinta-se em casa.
13)E a sustentabilidade do portal? Como ele se mantém no ar hoje? Existem apoiadores externos?
A ilha caminha para sua maturidade onde começará a contar com algum subsídio. Infelizmente não há como imaginar um projeto deste porte sobrevivendo apenas da paixão. Quando os compromissos começam a vencer, e a única coisa certa é que eles vencem (e com juros), não há sonhos ou idealismos que sustentem isso.
Este amadurecimento que mencionei passa pelo entendimento de que nossos apoios provavelmente virão de caminhos muito diferentes dos que os imaginados.
Durante bom tempo fomos assediados por empresas que desejavam apoiar a ilha, porém no entendimento destas empresas, apoiar é doar seus jogos para que “sorteássemos” na comunidade. Detalhe, sem enviar sequer os recursos para a distribuição dos mesmos aos sorteados.
Ou seja, a ilha na prática teria que pagar para divulgar os jogos destes fabricantes.
Outros diziam: - podemos criar promoções juntos!
Ok, ótimo! Vamos fazer isso! Precisamos que sua empresa crie então suas campanhas e acertar um valor para que possamos custear a publicação, veiculação e manutenção dos anúncios e da própria comunidade.
- Ah, mas nós não criamos, não temos pessoas para isso, vocês é que terão que fazer, e dinheiro infelizmente não temos, podemos doar alguns jogos para vocês...
Paralelo a estas propostas, assistíamos as mesmas empresas investindo bastante em outras áreas e mídias e pensávamos: engraçado...será que esta renomada empresa de mídia também esta recebendo jogos para pagar seus compromissos e fornecedores?
Digo sinceramente que alguns momentos foram realmente frustrantes para não dizer revoltantes. Ouvir isso de empresas de outros setores seria até esperado, mas justamente das empresas mais beneficiadas com o nosso esforço?
Em alguns momentos cedemos espaços gratuitamente, pois pensamos mais na relevância do momento para nossos usuários do que no dinheiro que não viria mesmo.
Em vários outros momentos cumprimos nossa missão cedendo espaço gratuito para iniciativas independentes em nosso setor, foram vários anúncios de pequenas empresas e eventos. Simplesmente manter a ilha nos ar, custa um bom dinheiro mensal, e fazemos estas cortesias sabendo que estas pequenas iniciativas estão lutando tanto quanto nós, e esperamos que elas prosperem e algum dia possam lembrar nossos gestos ou retribuir a gentileza para com a comunidade de alguma forma.
A ilha até o presente momento é mantida integralmente por recursos particulares. Ela teve um grande orçamento inicial (particular) que fazia parte da estratégia de lançamento. Os investimentos no projeto já ultrapassaram a soma de R$ 200.000,00 . Não existem apoiadores externos e em nenhum momento de sua existência contou com recursos de terceiros para sua manutenção efetiva.
14) Quem escolheu o nome Ilha do Tabuleiro? Por que Ilha? Alguma referência em especial?
Em 2006 os trabalhos eram constantes e a questão nome era um problema sem solução. Não tínhamos um nome razoável!
Um dia pensando na situação de isolamento em que o Brasil estava em relação aos jogos modernos me ocorreu o estalo inverso. Se o Brasil estava como uma ilha, separado de tudo, nós estaríamos criando uma ilha que tinha tudo. A ilha do tabuleiro!
E atrás deste grande momento começou a vazão temática que foi encaixando perfeitamente com ambiente lúdico.
15) A Ilha foi lançada em 07/07/2007, foi proposital a escolha da data ou pura coincidência?
Acho que acabei respondendo esta pergunta lá no início desta “pequena” entrevista.rsrsrs
Na verdade a data foi surgindo na pressão e na necessidade, e de repente este número mágico surgiu, não pestanejamos, tinha que ser este dia.
16) O Governador já teve a oportunidade de visitar alguns clubes de jogos? Quais?
Para mim os clubes de jogos são a expressão máxima da comunidade. Assim que criamos o espaço para abrigar as agremiações a intenção era visitar os clubes constantemente e fazer destas visitas eventos, o que não foi possível em virtude dos fatos já comentados anteriormente.
Mas eu tive o prazer de conhecer o Clube Péricles em Joinville, do amigo e moderador Hermes onde fui recebido até com filmagem e discurso!
Depois visitei a sede do Joga Sampa onde conheci o Marceleza e nosso moderador Edu Alpendre. Naquela oportunidade em SP queria visitar também o Clube do ABC de nosso também moderador magôo, mas infelizmente desencontramos.
Cheguei a planejar uma visita ao Clube do UM de nosso moderador e amigo Mário, em BH e ao Heavy Games Brasília do amigo Boaventura que chegou a mobilizar o pessoal, mas não conseguimos ainda.
Em todas as oportunidades, já os contatos sempre forma maravilhosos! Acho que é um dos pontos altos da comunidade, esta integração e o simples combinar, já nos causa uma emoção extra.
Espero que 2010 seja o ano destas realizações.
Me convidem !
17) Os projetos sociais da Ilha são muitos. Fale um pouco dos sonhos sociais do Governador?
O ato de jogar é socialização pura. Todos nós que participamos da comunidade sabemos e vivenciamos isso.
A medida que a ilha foi tomando forma e fomos realizando pequenas exposições, sempre apareciam crianças que nunca tiveram oportunidade de jogar. Ver seus olhos brilhando extasiados diante dos belos tabuleiros e imaginar que muitas passam vidas sem nunca jogá-los era realmente triste.
A inclusão digital vai acontecendo naturalmente em escolas e através das lan houses. Eu ficava imaginando esta garotada acessando a ilha e apenas assistindo nosso movimento sem poder participar integralmente. Então em paralelo ao portal procurava sempre imaginar maneiras de incluí-los na brincadeira.
Por conta própria, mesmo de forma modesta, já estávamos levando a ilha e os jogos a algumas escolas, universidades e grupos de idosos.
Com a enorme carga educativa presente nos jogos um caminho natural seria buscar apoio e parcerias culturais que permitissem transformar este movimento em algo organizado e contínuo.
Em diversas oportunidades estive em Floripa em contato com gestores culturais e na secretaria estadual de cultura, bem como aqui no município mesmo em Tubarão. Coisas que até hoje os ilhéus não imaginam, mas 2008 mesmo com todas as nossas dificuldades no portal, foi um ano extenso em peregrinações neste sentido. O meio público e político é um tanto complicado e as coisas não fluem como no meio privado. Pelo sucesso que a ilha já alcançou, fui sempre recebido com atenção, e em alguns momentos chegamos a comemorar algumas parcerias que pareciam prontas para dar frutos sociais.
Empolgado com as portas abertas e conhecendo pessoas chave no caminho convidei a Professora Semiana (conheces?rsrs), amiga de longa data para ajudar -nos a dar forma ao sonhos nesta área.
Era outubro de 2008, quando de forma organizada começamos a formatar adequadamente os vários projetos e ações neste sentido.
Até fevereiro de 2009 demos conta de nada menos que 5 projetos completos entre eventos, mostras itinerantes e um belo programa educacional com jogos.
Apresentamos a várias lideranças, incluíndo prefeito, secretários de educação, vereadores etc.
A secretária de cultura de nossa cidade chegou a se comprometer com uma soma razoável, para realizarmos uma série de atividades em escolas contratando monitores, etc, porém mudanças na realidade financeira impediram o início dos trabalhos e da parceria.
O ano de 2009 foi um ano de tentativas e apresentações. Nunca me esqueço da fala do primeiro gestor que tive contato em Floripa: - tenha paciência acima de tudo. Seus projetos são bons, mas nesta área você prepara as coisas com 1 ou 2 anos de antecedência, as coisas custam a sair.
Apesar de não conseguirmos concretizar as parcerias que tentamos, muito trabalho foi feito e fechamos o ano com vários projetos prontos aguardando a devida oportunidade para realização.
È uma questão de tempo e equipe para colocarmos em andamento.
18) Muitos Ilhéus sentem falta do Alessandro Caporal, sentem falta da participação nos fóruns e nas matérias do jornal. Neste momento da nova Ilha, o Governador esta um tanto quanto ausente. Esta ausência é proposital?
De forma alguma!
Minha presença ou ausência está ligada a um fator principal, tempo.
Eu sinto que muitos usuários realmente apreciam a minha participação, até porque no primeiro ano de comunidade eu estava presente integralmente. Eu podia fazê-lo, pois como disse mais acima, me desliguei de minhas outras atividades para estar na ilha em tempo integral. Eu acompanhava praticamente tudo, e procurava sempre manifestar-me perante as polêmicas e mesmo em diálogos corriqueiros nas madrugadas e finais de semana afora.
Infelizmente minha realidade mudou.
Quando rascunhava a Ilha, o fiz considerando pouca presença pública em função de minha atividade formal. Tenho uma ocupação profissional que me absorve integralmente.
Assim sendo eu destinaria meu pequeno tempo livre na criação e viabilização do portal. Seria um trabalho de bastidores e administrativo dando condições de uso para os milhares de jogadores brasileiros. È claro que eu queria participar da festa que eu mesmo estava criando, mas precisava ser racional a ponto de compreender que não poderia comprometer minha atividade principal, meu ganha pão.
Meu sonho era que “um dia pudesse quem sabe, estar me aposentando e tocando a ilha em tempo integral”.
A ilha foi desde o principio um projeto mágico e embriagante. Se os usuários já chegavam e se entregavam a ela de forma empolgada imaginem a minha emoção e entrega!
A medida que as coisas iam tomando forma, saindo do papel e virando realidade, superando os obstáculos e os críticos, minha dedicação foi saindo de controle.
Foi um dos melhores momentos de minha vida!
Eu saia de um ano negro de luta e perda familiar dramática, remédios e acompanhamento médico, e a ilha estava me trazendo de volta a vida e a luz de forma impressionante. Todos a minha volta percebiam isso, e naturalmente foi muito fácil viciar-me no projeto.
Ao viajar na tematização, no momento em que criamos os queridos bonequinhos hierárquicos, os ilhéus, foi inevitável o surgimento da figura do governador. Este era na verdade para assumir a representação administrativa, mas como ficar de fora sem dar as boas vindas a tantas pessoas legais que chegavam diariamente. Era muita energia positiva!
Completamente contagiado por tudo aquilo, tomei a decisão de afastar-me de meus negócios para dedicar-me a paixão.
Algo corajoso e de certa forma arriscado não é mesmo?
Naquele momento eu podia tudo na ilha, e estava totalmente presente.
A medida que os problemas começaram a aparecer, meu tempo público foi diminuindo e fui sendo obrigado a trabalhar internamente.
A situação ficou ainda mais difícil com o agravamento da situação econômica em minha empresa, onde fui obrigado a voltar de imediato e atuar responsavelmente no lugar que financiou totalmente o sonho Ilha do tabuleiro e que estava agora sob risco grave.
Assim a vida real tratou de levar-me de volta ao plano original.
Foi fácil?
De forma alguma!
O sentimento era de abandono, mas era simplesmente impossível e vital agir.
Até porque a ilha continua sem recursos e ignorar minha empresa real seria matar as duas coisas simultaneamente, pois apesar de tudo que passamos a Maré Alta é quem continua a manter este lugar vivo na internet.
A partir de tudo isso ficou muito claro que neste momento minha única participação viável é de mantenedor, e torcer para que a comunidade prospere a ponto de permitir-me participar como fazia em seu início, conseguindo aproveitar juntamente com os usuários de tudo de legal que a ilha proporciona.
A ilha é um ambiente colaborativo e esta é a maior contribuição que posso e consigo dar neste momento.
Eu vejo que algumas pessoas tem dificuldade de compreender minha ausência e espero que esta entrevista consiga esclarecer melhor estes sentimentos, pois para mim também é muito angustiante ser interpretado de forma errônea lutando tanto e diariamente por tudo isso.
Ainda assim eu agradeço a todos por estes sentimentos porque na verdade eles são uma demonstração respeitosa de consideração a minha pessoa. Eu gostaria de dizer a cada ilhéu que me lê agora, que você é a pessoa mais importante neste momento, e que cada um de vocês tem igual mérito e capacidade de elevar os ânimos de tantos outros que chegam. Eu continuo aqui, mas nossa comunidade é feita de milhares e a soma destas forças é que nos leva adiante. Exercitem suas lideranças, pois o simples falar de jogos já é grande exemplo a ser seguido.
19)A Ilha do Tabuleiro recentemente ganhou um importante Prêmio Federal de incentivo tecnológico, vencendo várias etapas e outros concorrentes. Fale um pouco sobre a relevância do Prime para a Ilha e a manutenção dos sonhos do Alessandro?
Como já mencionei anteriormente 2008 e 2009 foram anos de muito trabalho de bastidores em busca de apoio e parcerias em todas as frentes possíveis. Em busca de sustentabilidade foram muitas as noites e finais de semanas estudando oportunidades. A velha máxima do empreendedor de persistir, persistir, e persistir foi usada amplamente. Eu participo a muitos anos da Associação de Jovens Empreendedores de Tubarão entidade referência sendo uma das primeiras em nível nacional.
Através dela, soube em 2008 que o Governo Federal iria lançar um edital de apoio a novas empresas inovadoras. Na realidade uma concorrência pública com extenso edital e várias etapas a cumprir com finalização prevista para outubro de 2009.
Sabíamos que seriam milhares de empresas concorrendo e um ano inteiro de expectativas e envolvimento, uma espécie de vestibular.
Sabendo ser a ilha um case inédito e inovador, encorajei-me a participar. Contratei uma empresa de consultoria especializada e partimos para uma infindável maratona desenvolvendo textos, contando todo o histórico da ilha, sua abrangência, relevância, números, defesas, atividades realizadas, textos técnicos, projeções futuras, etc etc etc.
Em abril concluímos a primeira etapa (pré-seleção) e aguardamos ansiosamente o resultado. Fomos admitidos com uma das maiores notas de todo o processo.
A ilha mais uma vez mostrava sua credibilidade e capacidade de encantar.
A etapa seguinte foi um treinamento de 4 dias em Florianópolis com profissionais da Fundação Dom Cabral que em regime intensivo orientavam os futuros possíveis empreendedores premiados. Ali algo muito bacana foi receber distintos cumprimentos das personalidades ligadas a organização pela inovação e singularidade ILHA DO TABULEIRO. Algumas me abordavam dizendo, você é o responsável por aquele projeto diferente dos jogos? Era nítido o entusiasmo das pessoas e a expressão séria em nos incentivar apostando em nosso sucesso.
Gratificante...
Após esta etapa de estudos uma nova entrega detalhada dos planos futuros de sustentabilidade e viabilidade do projeto, e a sinalização de contrapartida financeira, além da parte burocrática com inúmeras documentações e obrigações legais.
Uma nova imersão com trabalhos noturnos e diários para entregarmos em setembro o nosso “dossiê”.
Dias de enorme expectativa e finalmente o nome da ilha figura entre os selecionados.
Esta foi uma experiência nova, engrandecedoura e de muita emoção. Foi um ano de dedicação,
aguardando e imaginando se teríamos competência para estar lá. Eu só conseguia pensar que mesmo
que não fossemos contemplados sairíamos do processo com uma nova visão da ilha e com certeza mais maduros.
Tudo isso acontecendo em paralelo às imensas dificuldades que passávamos na administração da comunidade...
Em alguns momentos extremos eu olhava aqueles rascunhos e documentos pensando: vocês são minha única esperança de manter tudo isso...
Cada etapa vencida era um estímulo para seguir um pouco mais e ao mesmo tempo um aumento de tensão pela possível frustração final.
Enfim fomos contemplados com este divisor de águas para 2010.
A grande notícia é que a Ilha receberá recursos destinados a contratação de consultorias, a contratação de um gestor em tempo integral e apoio ao empreendedor que será destinado ao desenvolvimento do site.
Eu diria que este prêmio tem inúmeros significados.
O primeiro é que a ILHA foi reconhecida formalmente. Ao ser contemplada recebeu inegavelmente um certificado de credibilidade e viabilidade atestado por profissionais renomados e pelo governo federal.
O segundo é que este recurso chega em um momento extremamente difícil e fundamental e que permitirá não só a continuidade mas a retomada do projeto com a qualidade e atenção que ele sempre mereceu.
Falo isso de forma emocionada, pois sempre soube que a nossa ilha era algo grande e extremamente promissor, porém sozinho nos bastidores já não era mais possível suportar o peso de suas necessidades perfeitamente justificadas.
Com certeza esta não será a solução de todos os nossos problemas, pois são muitos os desafios diários, mas com certeza teremos mais recursos para atuar diante deles.
2010 será sem sombra de dúvidas um ano diferente.
20)Neste ano de 2010, muitas mudanças ocorrerão, e vale ressaltar o convite para a Ilha participar da incubadora da Unisul – CRIE - Fale um pouco sobre esta fato marcante, em que fase esta a parceria?
Quando lutamos e persistimos durante anos, nossos trabalhos não passam em branco. Nós estamos nessa jornada a mais de 3 anos e ao longo deste tempo fomos estabelecendo importantes contatos e relacionamentos. A importância pública que a ilha conquistou vem paulatinamente trazendo novas oportunidades.
Aqui em Tubarão/SC temos a sede de uma grande universidade privada com vários campus espalhados pelo estado e principalmente em Florianópolis.
Em sua estratégia recente esta a valorização de suas incubadoras, captando para sua estrutura projetos inovadores com grande potencial.
Em várias oportunidades e momentos estivemos próximos dos gestores e responsáveis pela CRIE que acompanham a nossa evolução desde o inicio de nossa trajetória.
Neste novo momento, a ILHA surgiu naturalmente como projeto dentro do perfil prospectado, e fomos convidados a integração.
Costumo dizer que a ilha mesmo informalmente já chegou muito longe com seus resultados, imaginem ela funcionando estruturadamente!
Estar no CRIE pode nos permitir montar esta estrutura sendo acompanhados e orientados por um corpo pedagógico.
A incubadora nos proporcionará algo inédito, um endereço formal com expediente regular e algumas estruturas básicas em regime de condomínio, com custos subsidiados e melhor adequados a nossa realidade.
Estou muito feliz com este momento, pois abrimos 2010 com muita coisa legal por acontecer.
Novo endereço, nova estrutura e pela primeira vez uma equipe.
Não deixando de mencionar também que o ambiente universitário tem muito a somar com a vocação natural da ilha, o entretenimento lúdico, abrindo também inúmeras outras possibilidades.
21)Houve no fórum um tópico aberto discutindo os usuários fazerem doações
em dinheiro para a Ilha, dinheiro este que com certeza seria bem vindo, você
aceitará? Como seria efetivado?
O pensamento que norteou a criação da ilha foi a oferta de uma comunidade gratuita para os usuários, tendo a sustentabilidade viabilizada por anunciantes.
Eu acompanhei discretamente esta discussão e fico realmente feliz em ver que muitos ilhéus desejam
r realmente ajudar até financeiramente a comunidade. Com certeza são amigos que compreendem profundamente o quão difícil é manter algo como a ilha.
Eu criei algo neste sentido para a ilha 2.0 um programa de contribuições e vantagens, que não foi adiante na parte técnica. Mais uma vez dependemos deles.
Estas contribuições serviriam, por exemplo, para que pudéssemos retornar com os concursos e premiações na ilha. Nós recebemos com alguma freqüência doações de jogos que pretendemos destinar as nossas promoções, porém não temos recursos para as despesas de envio dos prêmios aos vencedores. No inicio da ilha eu bancava tudo isso, hoje isto não é mais possível.
Eu agradeço a oferta e o carinho de todos, aguardaremos a viabilidade técnica.
22)E o projeto "Tubarão capital nacional dos jogos de tabuleiros" em que
estágio esta?
Vários projetos importantes foram concebidos durante 2007-2008 e 2009 e este é um patrimônio que não se perde. “Tubarão capital dos jogos” não foi um projeto propriamente, mas sim um desejo intimo circunstanciado pelo magnífico momento de aceitação que capitalizamos no primeiro ano de comunidade. Os veículos de comunicação local e regional colocaram a ilha na “boca do povo”, e tínhamos aqui na região um mini cenário do que sonhávamos para o Brasil. Pessoas de toda a sociedade falando, discutindo e comentando diariamente a questão jogos. Acredito que muito disso pelo sentimento natural e de certa forma orgulhoso dos tubaronenses em ver um conterrâneo diante de um projeto que ganhava expressão nacional. Esta percepção levou-me a sonhar com este exercício de possibilidades. Porque não? O que falta para isso acontecer? Então durante um tempo dediquei-me ponderar isto com lideranças locais.
Diante dos problemas técnicos que enfrentamos atualmente estamos focando na estabilização da comunidade que é a grande catalisadora de tudo para posteriormente voltar a atenção a esta e outras iniciativas. Alguns deste projetos dependem também de vontade política e pública. Algumas boas sementes já foram plantadas e esperamos que no momento apropriado elas possam germinar adequadamente.
23)Como você avalia a comunidade neste momento
Acredito que todos nós que estamos na ilha desde seu lançamento vivemos juntos as seguintes fases:
1) Imaginação: O inebriante período de expectativas pré-lançamento num país que não tinha nada, gerado por nossa campanha pela internet.
2) O Descobrimento: A constatação de que havia uma iniciativa com sinais claros de solidez e objetivos a longo prazo, esperança.
3) O Deslumbre: O contagio e a propagação de um sentimento positivo que nos dava uma força incrível e indescritível sensação de que podíamos tudo, e que os tempos estariam mudando de uma vez por todas.
4) A Realidade: Vimos que apesar de todo um grande trabalho, de todo sucesso, e toda energia captada, dependíamos de uma retaguarda técnica capaz de transformar nossas alegrias em frustrações muito rapidamente.
5) A Impotência: Constatamos estupefados que nossa autoridade e vontade não eram suficiente para mudar a realidade do caos que se instalava na gestão tecnológica. Que passamos de comandantes a passageiros num piscar de olhos, perdendo funcionalidades básicas e atrativos estratégicos do portal.
6) A Frustração: Com a navegação cada vez mais difícil assistimos o moral baixar ao constatarmos que a migração anunciava mais problemas. Sofremos com e a evasão de usuários e colaboradores extremamente importantes.
7) A Maturidade: Hoje é possível compreender que dependemos de fatores externos que afetam diretamente nosso dia-a-dia. Que o que desejamos pode demorar mais tempo do que gostaríamos e que um projeto como este precisa de grandes recursos financeiros e equipe.
A Ilha apesar de suas limitações momentâneas continua sendo a maior referência lúdica nacional e portanto presta diariamente muita informação e serviços. Apesar de passarmos por uma fase extremamente difícil e ainda delicada, nossa gestão aponta para um caminho seguro com uma estrutura nunca antes conseguida em toda nossa existência. Com a chegada de alguns recursos e de nossa primeira equipe oficial, temos um norte muito claro adiante.
24)O Governador pode deixar registrado neste momento uma mensagem de final de ano para todos os Ilhéus ....
A todos que visitam a ilha e não só aos ilhéus.
Que 2010 seja um ano pleno.
Que a magia dos jogos seja descoberta e multiplicada entre os lares mostrando sua incrível capacidade de unir pessoas em paz e amizade.
E que todos amigos especiais e ausentes momentaneamente possam retornar trazendo suas costumeiras alegrias, refletindo bastante sobre tudo que vivemos conjuntamente. Lembrando que em nossos desejos mais íntimos deveríamos ocupar este lugar falando apenas de jogos e diversão. Apesar de todos os infortúnios não deveríamos aplicar a nós mesmos a maior pena, silêncio e a abstenção.
Esperamos por vocês amigos!
A ilha continua trazendo milhares de pessoas que precisam de orientação lúdica de habitantes exemplares.