Direitos autorais geram disputas entre fabricantes
DA REDAÇÃO
Jogos que seguem a tendência europeia já podem ser encontrados no mercado brasileiro. Mas há obstáculos ao desenvolvimento desse segmento: o conservadorismo em torno de nomes consagrados e o plágio.
Um dos poucos lançamentos "de autor" do mercado brasileiro em 2009 chegou manchado pelas reclamações de Bruno Faidutti, criador francês. "Risco Total" (Grow) tem a mesma mecânica de seu jogo "Incan Gold", apesar do tema e das ilustrações diferentes. Procurada pela Folha, a Grow não comentou o caso.
Mesmo jogos recentes criados por brasileiros, como o "Jogo dos Conquistadores" (Estrela), já têm "similares". Entre os profissionais brasileiros do ramo, existe o consenso de que uma vírgula a mais no texto do livro de regras ou qualquer alteração de componentes muda totalmente o jogo.
Uma mentalidade de que "a ideia não tem dono" também é comum nesse mercado: diversos pequenos produtores apresentam seus jogos como "esse é o nosso "Banco Imobiliário'" ou o "nosso "War'".
A situação chegou a um novo patamar com a chegada dos produtos das marcas Hasbro ("Monopoly") e Mattel ("Scrabble"), que podem ser encontrados nas prateleiras das lojas nacionais ao lado de versões clássicas e conhecidas, como "Banco Imobiliário" e "Palavras Cruzadas".
As estrangeiras apresentam seus títulos e estampam textos como "o original" nas caixas. As brasileiras, por sua vez, orgulham-se dos nomes assimilados no imaginário do consumidor. Com uma mercado consumidor que premia o conservadorismo do catálogo, verifica-se nas lojas do país uma situação em que há poucos produtos diferentes, mas cada um com diversas versões.
(EGN)
Comentários
fedo
( 26-12-2009 17:35:46 )
Uma pena que a Grow se acomodou nestas duas ~ultimos 20 anos. Seus primeiros jogos era muito bons.
Ethan Black
( 10-12-2009 11:07:08 )
Pessoal na minha modesta opinião acredito que a Grow por ser uma grande empresa deve estar calcada em alguma "falha" na legislação Brasileira para fazer o que fez. Entretanto, é realmente inegável a falta de vergonha na cara da empresa. Embora falem bem deste jogo eu jamais irei comprá-lo por causa disso.
ska1979
( 03-12-2009 12:51:48 )
Bah! Eu ia comentar, escrevi um monte mas vou resumir, é um jogo muito báscio esse risco total, básico mesmo, mas muito básico, não se pode descartar de duas pessoas terem a mesma idéia.
Outra essa mecânica já existia, é so ver no poker, o cara apenas criou um tema desenhou e coloco seu nome na caixa.
Pode ser uma desculpa simplista a minha, mas o jogo é muito simples, muito simples mesmo, burra da Grow, já que era para "piratear", cópiasse algo decente. E não dou credito nenhum a teoria de pirataria de um jogo divertido, mas muuuuuito simples.
Zedong
( 25-11-2009 10:23:02 )
É fato que o Monopoly foi licenciado e lançado como Banco Imobiliário. Com relação ao Risk não tenho tanta certeza da história, mas é provável. A GROW licencou muita coisa ao longo dos anos 1980: Acquire/Cartel, Cosmic Encounter/Contatos Cósmicos, Supremacy/Supremacia, Red Alert/Alerta Vermelho. E encomendou a criaçãode outros: War II e Eleições são criações do Mário Seabra, embora seu nome não venha nas caixas. O War II é um clássico casode upgrade de regras que dispensa o pagamento de royalties. O Problema com o Incan Gold/Risco Total é que copiaram descaradamente a mecânica de um jogo e mudaram o seu tema para parecer outra coisa. Se há brecha na lei, paciência. Só fica registrada a falta de caráter de quem o fez. Se foi um autor, caberia à GROW pelo menos pedir desculpas pela edição.
vinashu
( 25-11-2009 08:30:51 )
Eu acho que os clones do Risk e do Monopoly foram licenciados, há 20 anos. Quanto a cópia, uma coisa é fazer um jogo no mesmo estilo, usando a mesma mecânica, a mesma idéia, outra coisa é só mudar o gráfico, é o mesmo jogo comum gráfico diferente. Lá fora não é assim que acontece, novos jogos nascem baseados ou inspirados em outros e não copiados.