Direitos autorais geram disputas entre fabricantes
DA REDAÇÃO
Jogos que seguem a tendência europeia já podem ser encontrados no mercado brasileiro. Mas há obstáculos ao desenvolvimento desse segmento: o conservadorismo em torno de nomes consagrados e o plágio.
Um dos poucos lançamentos "de autor" do mercado brasileiro em 2009 chegou manchado pelas reclamações de Bruno Faidutti, criador francês. "Risco Total" (Grow) tem a mesma mecânica de seu jogo "Incan Gold", apesar do tema e das ilustrações diferentes. Procurada pela Folha, a Grow não comentou o caso.
Mesmo jogos recentes criados por brasileiros, como o "Jogo dos Conquistadores" (Estrela), já têm "similares". Entre os profissionais brasileiros do ramo, existe o consenso de que uma vírgula a mais no texto do livro de regras ou qualquer alteração de componentes muda totalmente o jogo.
Uma mentalidade de que "a ideia não tem dono" também é comum nesse mercado: diversos pequenos produtores apresentam seus jogos como "esse é o nosso "Banco Imobiliário'" ou o "nosso "War'".
A situação chegou a um novo patamar com a chegada dos produtos das marcas Hasbro ("Monopoly") e Mattel ("Scrabble"), que podem ser encontrados nas prateleiras das lojas nacionais ao lado de versões clássicas e conhecidas, como "Banco Imobiliário" e "Palavras Cruzadas".
As estrangeiras apresentam seus títulos e estampam textos como "o original" nas caixas. As brasileiras, por sua vez, orgulham-se dos nomes assimilados no imaginário do consumidor. Com uma mercado consumidor que premia o conservadorismo do catálogo, verifica-se nas lojas do país uma situação em que há poucos produtos diferentes, mas cada um com diversas versões.
(EGN)
Comentários
rgdebarros
( 24-11-2009 16:56:47 )
No nosso direito, não há direito autoral de regra ou jogo. Se o "similar nacional" tivesse sido publicado lá fora, talvez a história fosse outra. Mas não é o caso.
Não fosse assim, iria a Grow publicar um jogo dessa maneira? Não fosse assim, alguém duvida de que a Hasbro já não teria metido um processo nos clones do Risk e do Monopoly?
vinashu
( 24-11-2009 08:13:32 )
Acho que falta culhões de dizer "eu errei, vou te pagar os royalties" e pronto. Não deve ser tão caro, já que é um jogo "barato" e que já não vende tanto lá fora. Se a Grow estampasse o nome do designer na capa, ela poderia jogar a culpa nele e aí não seria mais problema dela. Esse negócio dos fabricantes nacionais não darem o crédito para o autor saiu como um "tiro pela culatra"
Bubastis
( 23-11-2009 23:32:05 )
Bem, eu tenho dois Wars, um Risco Total não vai fazer diferença... Brincadeira, mas esta questão dá muito pano pra manga....
vinashu
( 23-11-2009 14:20:37 )
Se eu soubesse que o Risco Total era pirateado, com certeza não teria comprado.
silvapaulojose
( 23-11-2009 10:34:42 )
Dois pontos que julgo positivos: o primeiro é uma matéria sobre jogos em um veículo de grande circulação. E o segundo ponto é o caderno: "Dinheiro". Talvez isso seja um indicativo de que este mercado passará a ser visto com mais "seriedade" por parte dos fabricantes.